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ficha técnica
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2006 — Participação em Concurso Público de Projetos para a Sede do Iphan em Brasília
Descrição:
“A arquitetura sempre foi parte integrante fundamental no processo da criação artística como manifestação normal da vida (…) constituindo-se no “álbum de família” da humanidade. É através dela, através das coisas belas que nos ficaram do passado, que podemos refazer, de testemunho em testemunho, os itinerários percorridos nessa apaixonante caminhada, não na busca do tempo perdido, mas no encontro do tempo que ficou vivo para sempre porque entranhado na arte. O que caracteriza a obra de arte é, precisamente, essa eterna presença na coisa daquela carga de amor e de saber que, um dia, a configurou.” – Lucio Costa
Seria impossível pensar a nova sede do IPHAN, casa maior da arquitetura brasileira, sem recorrer às lições de Lucio Costa. Assim, procuramos ter como eixo conceitual de nosso projeto, a noção de Patrimônio entendido como memória material e imaterial do fato humano, algo que supera a obra como objeto.
Tomamos de nossos pioneiros modernos o desafio de trabalhar arquitetura e museografia como unidade indissociável. Na futura sede do IPHAN, o espaço todo e todos os espaços deverão abrigar o trabalho criativo, propiciando a reflexão e a fruição permanente do funcionário e do visitante. Buscamos, através de uma transparência intermitente, pontuada, e de visadas pelos caminhos, a percepção simultânea das obras expostas e do ambiente construído – a experiência plena do espaço.
Projetamos um todo que, através das mais variadas mídias expositivas, possa mostrar a memória viva do que os brasileiros têm criado ao longo dos séculos. Uma memória que aponte para um futuro que poderemos criar. A futura sede do IPHAN será uma cidadela: provocante e cheia de surpresas, urbana em espírito. Deverá recriar a atmosfera da cidade, possuir algo da proximidade, densidade e complexidade das coisas urbanas, no sentido de que pessoas, artefatos, sons e imagens encontram-se, convergem e chocam-se inevitavelmente, revertendo qualquer hierarquia entre observador e objeto.
Em seu entorno, recuperaremos a vegetação do cerrado, com espécies preferencialmente de grande porte. Ao se aproximar, o visitante descobrirá a “vila branca” (todos os edifícios serão construídos em concreto aparente branco), lembrança remota de uma viagem ao interior do Brasil.
O conjunto das edificações será articulado por um grande pátio – um terreiro de areia e terra batida de 50mx50m -, vazio que unifica definido por uma marquise/passarela a lembrar os claustros coloniais: espaço da reflexão. Nele, plantaremos um único Ipê Amarelo. Este pátio/claustro do século XXI já pode abrir mão da colunata ou loggiato. Assim, sua marquise/passarela envoltória será leve, quase “flutuante” (em concreto protendido), sem colunas, engastada e/ou apoiada nos edifícios ou muros, também de concreto. Por ela (acima ou abaixo), as pessoas se deslocarão de edifico para edifício, reforçando a idéia de contorno que dá movimento, gera encontros, cria comunicação e convivência.

