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Um marco simbólico para a entrada da cidade de Ilópolis que vai no sentido oposto aos tantos “pórticos” que povoam as cidades brasileiras e que procuram, em uma linguagem literal da temática local, fundamentar suas concepções e seu sentido de existir. Em nosso projeto, fugimos das soluções figurativas e alegóricas que, na maioria das vezes envelhecem mal e se desgastam, dando lugar à folclorização e até, em muitos casos, espaço para o deboche.
No caso de Ilópolis, não há duvida de que seu símbolo maior é a Erva-Mate e toda cultura que carrega consigo desde as tradições mais arcaicas, passando pela adaptação dos colonos europeus ao seu cultivo e consumo, até chegar às novas e modernas técnicas de produção dos dias atuais. A Erva-Mate é o tema impregnado na memória do passado e no futuro do município, portanto merece o destaque em uma obra de arte simbólica que marque a entrada, hoje principal, da cidade a receber seus moradores e visitantes.
Buscamos em representações botânicas as matrizes artísticas para criarmos nossas placas de cerâmica que deverão revestir todo o totem. Os mais diversos registros comprovam a longevidade do cultivo e consumo da erva-mate em toda a vasta região que se estende por dispersão natural e inserida no Bioma Mata Atlântica, do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul, ao Paraguai e Argentina. Trabalhamos com as imagens destas cerâmicas como referência buscando sintetizar certas formas das folhas, galhos e flores do vegetal e os utilizamos agigantados em nossas placas cerâmicas para que atendam a escala do lugar em termos de visibilidade.
Criamos um totem vertical de seção quadrada em planta de 1x1m, com dez metros de altura, estruturado em concreto armado e revestido com as placas cerâmicas de 1x1m até o nono “gomo” na vertical. O último metro será uma “lanterna” de luz branca a funcionar de noite como um farol na paisagem. Este será construído em estrutura metálica revestida com placas de acrílico leitoso que deverá difundir a luz uniformemente.
As placas cerâmicas de 1x1m conterão baixos relevos com os motivos da erva-mate e terão 4 versões que deverão ser assentadas alternadamente para que de todos os lados (Norte, Sul, Leste e Oeste) possam ser lidos igualmente.
A iluminação pensada para o totem/monumento deverá começar com projetores no solo que projetarão uma luz quente avermelhada na base da coluna e, a partir de uma certa altura mudam de cor para luzes mais amareladas, como se fosse uma fogueira que tem mais calor junto ao solo e clareia na medida em que o fogo sobe. A luz amarela deverá desaparecer ao tocar o alto da torre, dando lugar ao cubo branco do farol.

