Viaduto Bixiga

São Paulo, SP
Download Arquivos

ficha técnica

Ano:
2005
Área:
14.050 m²
equipe:
Francisco Fanucci, Marcelo Ferraz e Anne Dieterich
Imagens:
Acervo Brasil Arquitetura
Premiações:

–

Descrição:

Os viadutos que, a seu tempo, foram criados para solucionar importantes problemas urbanos da cidade moderna, como circulação e escoamento de tráfego, não podem e não devem se transformar em seu mal maior. Se ainda sobrevivem e são imprescindíveis, é preciso encará-los com as ferramentas da arquitetura e do urbanismo e transformá-los em parte “amigável” da vida urbana, sob o ponto de vista do pedestre, da escala humana.

E não são poucos os viadutos que “habitam” nossas cidades contemporâneas. Ricas ou pobres, todas as metrópoles padecem de problemas semelhantes. Basta pensar em Los Angeles ou Caracas, povoadas por viadutos sem fim. Mas também é importante lembrar Boston – talvez como meta – que acaba de demolir um gigantesco complexo de viadutos, substituindo-os por túneis e um melhor transporte público.

Em São Paulo, o enorme viaduto popularmente chamado “Minhocão” é um caso típico de solução de mão única, ou seja, veio para resolver o problema do tráfego de automóveis na ligação leste oeste da cidade, mas deixou mazelas e estragos profundos no tecido vivo da cidade.  Verdadeiras “feridas urbanas” em áreas centrais e bairros adjacentes. Um desses bairros, o Bexiga, foi cortado em vários pedaços, ficando quase desfigurado. Só não perdeu sua unidade pela força sociocultural que tradicionalmente conserva. Algumas de suas áreas impactadas pela construção do viaduto, porém, bem cabem no conceito de “não lugar”, ou seja, o avesso, a negação do chamado espaço da convivência urbana. Verdadeiros buracos negros.

A área aqui tratada, aquela sob o trecho do “Minhocão” chamada Viaduto Júlio de Mesquita, contígua à rua Jaceguai, é uma dessas áreas: restos, nesgas de terrenos esquecidos, física e simbolicamente, ao tempo.

Com esta leitura da realidade e com a plena certeza de que devemos encarar o desafio de propor um novo rumo para este espaço, com maior presença “positiva” na vida da comunidade (quem sabe, um exemplo para outros locais similares) é que desenvolvemos um projeto urbanístico e arquitetônico pautado na ocupação e no uso que emanam do próprio Bixiga, visando às transformações constantes desse organismo vivo, chamado cidade.

Projetos Relacionados