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ficha técnica
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A catástrofe irreparável do incêndio que destruiu o antigo Palácio Real e seu importante acervo traz, ao mesmo tempo, a oportunidade de readequá-lo às funções de um museu contemporâneo. Um museu que atenda a todos os requisitos e demandas da atualidade e que tenha as melhores condições técnicas, espaciais e museográficas para abrigar e expor sua coleção, retomando em um novo patamar o papel de guardião da memória – fonte inesgotável de pesquisa e conhecimento.
O futuro Museu Nacional deverá apresentar em seus novos espaços e instalações todas as condições físicas e de segurança para o acervo e os usuários, respondendo com conforto às demandas e funções dos museus contemporâneos. O acolhimento amigável, uma expografia dinâmica com o uso de múltiplas mídias, acessibilidade universal, atividades educativas e de pesquisa, exposições temporárias diversificadas, tudo isso voltado para a ampliação de repertório do visitante – qualquer visitante.
O projeto de intervenção é pautado por uma ideia forte, clara e contundente, chave e âncora da arquitetura proposta: um museu novo em um casco antigo. Casco antigo porém extremamente valioso para o imaginário da cidade e do país.
Conforme condição estabelecida previamente, tomamos como premissa a recuperação dos telhados e fachadas externas originais. Mas procuramos também trazer à luz as marcas da destruição pelo fogo estabilizando as ruinas do pórtico da entrada principal do palácio no estado em que estão agora, trabalho a ser feito com rigor histórico e técnico em consonância com todas as demais intervenções propostas no exterior e interior do conjunto.
Como postura geral, elegemos o concreto branco, suave como caiação, para destacar os novos elementos estruturais, materiais e simbólicos que marcarão a nova intervenção e o diálogo entre os diferentes tempos. Tomamos por base o “respeito absoluto por tudo aquilo que o conjunto representa como poética, dentro da interpretação moderna da continuidade histórica, procurando não embalsamar o monumento, mas integrá-lo ao máximo na vida moderna” (Lina Bo Bardi).
Para o primeiro bloco, adotamos o recomendado “restauro” integral com a manutenção da espacialidade e dos materiais originais, limitando as demolições apenas a paredes e estruturas secundárias que poderiam confundir a leitura do organismo arquitetônico. A reconstrução e reconstituição de elementos originais deverá se apoiar em métodos e técnicas contemporâneas. As intervenções necessárias para a adequação do palácio às novas exigências de segurança e demandas de uso deverão se pautar aqui pela discrição, procurando fazer com que neste bloco a arquitetura evidenciada seja a do palácio.
Nos segundo e terceiro blocos, a narrativa avança com a apresentação de um novo elemento: suas duas paredes centrais serão mantidas, só que envelopadas pelo concreto branco. Uma vez reforçadas, estas paredes estruturarão os mezaninos que se prendem a elas e que, juntamente com as paredes exteriores, sustentarão também os pisos originais e os telhados.
As paredes exteriores serão restauradas em suas faces externas e, nas faces internas, serão mantidos resquícios da destruição. Nestes blocos introduziremos também novos materiais nos pisos: linóleo cinza nos pavimentos originais e linóleo vermelho no mezanino e concreto branco no teto.
No terceiro bloco, a contundência da intervenção se intensifica: uma nova estrutura de concreto branco envelopará as faces internas de todas as paredes envoltórias. Apenas as aberturas originais de janelas e portas serão mantidas. Todas as paredes divisórias serão eliminadas, com exceção da caixa central correspondente ao fosso atual. Este corpo poderá ser lido e compreendido pelo visitante tanto a partir do piso térreo quanto do segundo piso, e será também um importante elemento de apoio ao mezanino que, neste bloco, realizará um passeio sobre todo o espaço.
O paisagismo de Glaziou deverá, na medida do possível, ser recuperado, e todo o pavimento de asfalto e cimento atuais deverá ser substituído por pavimento drenante de saibro e pedriscos. Apenas na lateral norte deverá ser mantido o pavimento em paralelepípedos avançando sobre a laje de cobertura do anexo Alípio.

