Museu Judaico

São Paulo, SP
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ficha técnica

Ano:
2005
Área:
3.117m²
equipe:
Francisco Fanucci, Marcelo Ferraz, Anderson Freitas, Bruno Levy, Cícero Ferraz Cruz, Gabriel Grinspum e Pedro Barros
Imagens:
Acervo Brasil Arquitetura
Premiações:

2005 – Menção honrosa em concurso fechado

Descrição:

Um ponto de luz branca (e dourada) na sofrida e maltratada metrópole de São Paulo, no centro nervoso da Capital: este será o Museu Judaico do Templo Beth-El.

Branco do mais puro branco, com suas três cúpulas douradas, seus novos jardins laterais (o aquático e o vertical na face sul), o Museu Judaico deverá criar um novo diálogo com a cidade; um diálogo sustentado na crença da recuperação dos espaços esquecidos, “sombreados” pelo crescimento desordenado e voraz dessa mesma cidade; um diálogo que aposta na ação arquitetônica pontual que contagia e recupera tecidos degradados do corpo urbano.

O Templo Beth-El, uma vez reformado e recuperado, deverá jogar luz, chamar atenção para toda uma região que hoje se encontra sufocada pela função quase única de passagem, pelo e sobre o vale da Nove de Julho e adjacências, mas que tem sua história, tem sua graça, tem vigor.

Este é o objetivo maior de nossa proposta: um novo museu contemporâneo, com seus muitos significados, suas histórias, seus documentos e suas obras de arte, deve aqui, necessariamente, ter um sentido regenerador; deve ser também um marco urbano.

Nosso projeto para a instalação do Museu Judaico no Templo Beth-El pode ser resumido em três pontos básicos, ou três idéias-força: saneamento arquitetônico do conjunto; requalificação das partes (superior e inferior) da edificação; e adequação dos espaços às novas funções de museu temático contemporâneo.

Através de intervenção arquitetônica saneadora, pretendemos “limpar” o edifício de todos os elementos (volumes agregados, puxados, anexos) construídos ao longo do tempo, que descaracterizam e desvirtuam volumétrica e espacialmente o projeto original. Pretendemos também demolir todas as divisões internas dos três pavimentos inferiores (abaixo da rua Martinho Prado), respeitando a estrutura existente e/ou criando transições estruturais, para criar os espaços expositivos e abrigar as novas funções do Museu.

De forma contundente, procuramos valorizar e diferenciar as partes superior e inferior do Templo (acima e abaixo da rua Martinho Prado). Na parte superior, além de demolir os anexos “tardios” da fachada sul e dos fundos, adotamos a pintura branca em todo o edifício e dourada nas três cúpulas. Na parte inferior retiramos toda a parede (vedo) da fachada sul e projetamos um corpo anexo em concreto aparente, avançando 6 metros sobre o recuo da avenida Nove de Julho, com rasgos horizontais de vidro, jardins suspensos e cobertura de espelho d’água (nível da rua Martinho Prado). Uma passarela em vidro puro cruzará este espelho d’água no nível do piso térreo e se conectará ao volume metálico do novo elevador.  Este novo corpo anexo será a marca do Museu contemporâneo. Por ele buscaremos a luz para os três pisos inferiores, nele instalaremos a nova circulação vertical, as áreas de circulação e distribuição, de convivência (como o bar/café e a loja/livraria). Sua fachada expressiva, assimétrica e tensa, fará como que um contraponto com os volumes puros e harmoniosos da parte superior; seu concreto aparente ante o branco e dourado do volume superior acentuará este contraponto: será um diálogo de épocas e de significados estampados na arquitetura.

Todos os ambientes internos do Museu serão adequados às novas funções, de acordo com as normas de acessibilidade e segurança atuais. Novos materiais de revestimentos, resistentes aos diversos usos, em acordo com as mais variadas possibilidades expositivas, deverão ser empregados, bem como novas instalações elétricas, hidráulicas, de luminotecnia e ar condicionado serão implantadas.