Museu da Araucária

Ilópolis, RS
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ficha técnica

Ano:
2023
Área:
844m²
equipe:
Francisco Fanucci, Marcelo Ferraz, Cícero Ferraz Cruz, Luciana Dornellas e Roberto Brotero
Imagens:
Acervo Brasil Arquitetura
Premiações:

Descrição:

O futuro Museu da Araucária de Ilópolis será construído em uma área de 8.800 m², próximo à mancha urbana e nas margens do Lago verde. Situada numa das colinas da cidade, o terreno abriga um grande bosque formado por araucárias em um raro exemplar urbano da típica paisagem do Planalto das Araucárias no Rio Grande do Sul. A área pertence à reserva da Biosfera da Mata Atlântica.

A ARQUITETURA

Nosso projeto nasce e se desenvolve a partir das condições que a realidade física do terreno nos apresenta e da temática proposta para o museu. O denso bosque de enormes araucárias nos levou a ocupar a área com muitas construções a “serpentear” o terreno, desviando das árvores, mas ao mesmo tempo “dialogando” com elas. Como caixas, ou “casamatas de concreto camufladas” na mata, cada um destes blocos abrigará uma sala expositiva que deverá tratar de um tema específico a ser trabalhado pelos conteudistas do museu. Estes blocos serão ligados por passarelas cobertas, ora mais fechadas, ora menos, que também servirão como galerias expositivas. Todo o conjunto será construído tendo a araucária como matéria básica. Tanto o concreto – feito com formas trabalhadas em muitos desenhos e geometrias – quanto os caixilhos, os painéis de vedação e até o mobiliário, deverão ser produzidos com a madeira da araucária, dentro das normas de uso atuais de reaproveitamento e manejo ecológico.

PASSEANDO PELO MUSEU

A partir da rua nova a ser aberta em continuidade à malha urbana, um calçamento de concreto nos levará ao interior do museu. Adentraremos o conjunto por uma área de acolhimento, com espaços de estar, informações, sanitários, e uma pequena cafeteria/loja que oferecerá produtos relativos aos temas tratados, como brinquedos, recordações, livros e derivados comestíveis do pinhão etc.
A partir do acolhimento, partiremos para a visita ao museu através das várias salas temáticas, conectadas pelos passadiços/galerias.

No primeiro módulo, Memorial da Araucária, abordaremos a própria araucária, uma das espécies vegetais mais antigas do planeta. Nele, exploraremos os aspectos científicos e botânicos de seu ecossistema utilizando modernas tecnologias museográficas. Em um dos 4 cantos da sala, teremos um fechamento de vidro a abraçar uma das grandes árvores do bosque do lado externo – uma araucária gigante.

No segundo módulo, A araucária na vida dos habitantes e na construção das cidades, araucária será vista no quadro do contexto histórico e sócio econômico brasileiro. Os pioneiros exploradores, os imigrantes, a presença desta madeira na construção do habitat em várias regiões do país. Neste módulo, também deverá ser abordado o uso da araucária no vernáculo do mobiliário brasileiro.

O terceiro módulo, A araucária como riqueza hoje e no futuro, deverá abordar a importância da araucária na alimentação, na preservação da flora e da fauna, bem como o uso de sua madeira no design de móveis, objetos e na arquitetura.

O quarto módulo, A araucária e a ocupação do território, deverá tratar da história da ocupação humana no Alto Taquari – desde os primeiros registros e documentos arqueológicos até a chegada dos imigrantes italianos, pioneiros exploradores de madeira, que marcaram fortemente a região.

O quinto módulo, Memorial Judith Cortesão, será dedicado a homenagear a grande mulher – bióloga, ambientalista, educadora e agitadora cultural – e contar sua vida através de uma linha do tempo ilustrada com documentos, fotografias, etc. Judith viveu em Ilópolis em seus últimos anos de Brasil e deixou fortes marcas e lembranças na comunidade.

Para além de todos estes espaços, teremos as galerias – corredores e tuneis – que ligarão os blocos. Estas, além de circulação, servirão de espaços expositivos, ora com aberturas visuais direcionadas a certos pontos da paisagem natural, ora para peças – esculturas ou objetos – posicionadas estrategicamente no jardim; abrigarão também vitrines em certos pontos de expansão do tema dos blocos, ou pequenas mostras temporárias. Enfim, serão espaços versáteis em termos de uso e programa.

As galerias, ao fecharem o circuito de visitação do museu, criarão um jardim interno – um grande claustro – que terá um tratamento paisagístico mais controlado e “domesticado” do que o jardim externo circundante, de caráter mais “selvagem” e natural. Este claustro deverá abrigar uma coleção de esculturas e objetos afeitos à temática do museu, ligados por caminhos de pedra; nos dias de sol poderá funcionar como expansão da cafeteria.

Clima, relevo, fauna e flora, ar puro, água fresca e limpa, hortênsias e, principalmente, criação e feito humano na construção de uma nova paisagem e de uma nova vida com sabedoria, sofrimento, alegria e coragem; tudo isso deverá ser abordado neste novo museu que, a partir de Ilópolis, deverá irradiar sua energia, dar sua mensagem