Estação Natureza

São Paulo, SP
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ficha técnica

Ano:
2007
Área:
250 m²
equipe:
Colaboração com Apiacás Arquitetos. Francisco Fanucci, Marcelo Ferraz, Isa Grinspum Ferraz e Helena Tassara
Imagens:
Acervo Brasil Arquitetura
Premiações:

–

Descrição:

A ideia de um trem com vagões de passageiros que percorresse todos os biomas brasileiros nasceu de uma parceria da Universidade de São Paulo e a Fundação O Boticário de Proteção a Natureza. Para tanto, foi organizado um concurso fechado para que o projeto fosse implantado. O local escolhido foi a área que abriga os antigos galpões de tecelagem da Rua Guaicurus em São Paulo que, desde o fim dos anos 1980 funciona o centro de ciência para a juventude, ou a estação ciência, um órgão da pró reitoria de cultura e extensão universitária.

Apesar do edital sugerir uma réplica de um trem, que fosse construído em madeira, para abrigar o conteúdo expositivo, achamos por bem que este novo espaço, contíguo aos galpões, fosse tratado como um pequeno museu, que pudesse abrigar a nova exposição com todo o suporte necessário: controle de luz, som, temperatura e odores. Por este motivo, ao invés de uma simples cópia de um trem, optamos por uma construção que não dissimulasse seu verdadeiro aspecto construtivo, pois levávamos em consideração que o local teria um caráter educativo. Portanto, nos apropriamos da linguagem formal de um objeto muito presente estações ferroviárias: os conteiners.

Consequentemente, o projeto resultou, literalmente, em cinco prismas, com área aproximada de 50m², construídos em estrutura metálica com vedos também metálicos, apoiados em bases de concreto, que deveriam servir também para conter toda a infraestrutura. Os prismas, ou vagões são unidos por passarelas metálicas, que servem também como saídas de emergência.

A partir do conceito expográfico adotado, no primeiro vagão os visitantes são introduzidos, através de uma projeção audiovisual no piso, às questões de formação, diversidade e interação dos biomas globais e especificamente os do continente Sul Americano, onde os biomas se estendem para além das fronteiras do Brasil.

Inicia-se então o percurso da exposição em que cada bioma é um espaço total, com características próprias, abrigando biodiversidade e interações ambientais singulares, e que se distribui através de mais quatro vagões, cada um deles tematizando dois biomas:

– Vagão 02 – Zona Costeira e Amazônia
– Vagão 03 – Pantanal e Cerrado
– Vagão 04 – Caatinga e Mata Atlântica
– Vagão 05 – Floresta de Araucárias e Pampas

O espaço reservado para cada um dos biomas tem o intuito de provocar uma experiência sensorial e afetiva ao visitante, estimulando-o a refletir, a trocar informações e a compreender. Para tanto, cada espaço contém um conjunto de instalações expográficas como vitrines, telas de vídeo, projeções audiovisuais, painéis, sons, odores e temperaturas diferenciadas, apresentados de maneiras inusitadas, a partir da seleção dos elementos mais fortes e simbólicos representantes de cada bioma. Em síntese, cada conjunto constitui uma realidade concentrada do bioma que representa.

A separação entre biomas de um mesmo vagão se dá através de um totem que contém uma tela de vídeo em que o bioma está identificado geograficamente, delineando sua área de abrangência e o seu nome. Já a separação entre os vagões é feita através de passarelas abertas, que são áreas neutras de conteúdo, fazem o intervalo durante o percurso, e que abrigam ainda as saídas de emergência.

E por fim, no último vagão, o visitante conclui o percurso revendo algumas das imagens mais representativas de cada bioma, e neste espaço entra em contato também com algumas ações para a sua preservação.