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Jardim Irene é uma comunidade da periferia de Santo André, comprimida entre áreas de mananciais protegidas do municipio e divisas com São Bernardo. Sua ligação com a cidade de Santo André se dá pelo Caminho dos Vianas, justamente no trecho defronte ao terreno destinado à construção do CESA Jardim Irene. A escolha do terreno, nesta posição tão estratégica, já prenuncia a importância da implantação deste equipamento na vida dos moradores do local.
O Caminho dos Vianas é, neste trecho, um aterro que corta transversalmente a varzea de um riacho, tributario do Corrego André Magini. O terreno é constituido pela comprida faixa de terra inundável compreendida entre a avenida e o córrego, que tem uma encosta de reserva remanescente da vegetação original do lugar, em sua outra margem. Esta pequena encosta, milagrosamente preservada numa região de ocupação sem nenhum controle ou planejamento, é como a ponta de um iceberg, o vértice de uma extensa área verde contínua que vai até o Parque do Pedroso, passando por sucessivas glebas que sobreviveram ao avanço implacável e caótico da cidade.
O Jardim Irene se instalou numa microbacia, formada por três nascentes principais que se juntam para formar o córrego, dentro de uma Zona Especial de Interesse Ambiental, ZEIA-B . O SEMASA (Serviço Municipal de Saneamento Ambiental) está implantando um projeto de recuperação do córrego André Magini desde suas nascentes, que brevemente tornará limpas suas águas. Nosso projeto prevê a criação de um lago na parte posterior do terreno que, além de grandes benefícios paisagísticos, servirá para regular a vazão do córrego, evitando as repetidas enchentes que afligem a população local, devido a um estrangulamento causado pela sua canalização em um trecho a jusante. Este lago (de águas limpas!) juntamente com a encosta verde forma um pequeno parque que, somado à implantação do CESA, trará ao Jardim Irene seu grande centro de convivência, seu passaporte para a cidadania.
O programa do CESA prevê, além da EMEI, a construção de uma Creche e de um Centro Comunitário. O conjunto será dotado de um auditório de 250 lugares e de duas quadras, uma coberta e outra ao ar livre, na cobertura.. A arquitetura propõe um edifício contínuo, composto de um lado pela creche, na cota mais baixa do terreno (cota 93,00) e de outro lado a EMEI, na parte mais alta (cota 96,10), ligados pelo Centro Comunitário. Este edifício contínuo é vazado nos pontos em que os níveis do terreno são os mesmos da avenida, criando como que pórticos de entrada ao novo parque urbano.
A conjugação das atividades educacionais (EMEI e creche), sociais (banco de emprego), esportivas (quadras), culturais (auditório e oficinas do Centro Comunitário), de lazer (parque) e com serviços médicos (posto de saúde) formam um importante centro de referência, identidade e convivência para este pedaço da imensa e carente periferia da megalópole paulista.

