Casa de Cultura de Bodocó

Bodocó, PE
Download Arquivos

ficha técnica

Ano:
2021
Área:
360m²
equipe:
Francisco Fanucci, Marcelo Ferraz, Cícero Ferraz Cruz e Vitor Miceli
Imagens:
Acervo Brasil Arquitetura
Premiações:

–

Descrição:

A antiga Cadeia Pública de Bodocó, espaço utilizado por muito tempo para a punição de cidadãos infratores, deverá ser transformada em espaço de criatividade e convivência, espaço de tolerância e liberdade: será a Casa da Cultura de Bodocó.

A memória do passado do edifício não será e não deve ser apagada, pois faz parte da história da cidade e de toda a região. Porém, sua reabilitação e requalificação através de uma intervenção arquitetônica contemporânea e de novos usos pautados na convivência, permitirá o seu ressurgimento em novas bases. Deverá marcar um novo tempo na vida de Bodocó.

O projeto pode ser dividido em três núcleos distintos e fortemente conectados, indissociáveis até, para atender ao programa que se pretende implantar e que trata da história e da memória, do meio ambiente e da ancestralidade da ocupação humana no território, da paleontologia, das atividades manuais, artísticas e intelectuais dos diversos grupos sociais e faixas etárias da população. Este programa abrangente e integrador, apoiado por novas tecnologias de multimídia, tratará de questões atuais sem deixar de lado os saberes e modos de fazer tradicionais e animará os espaços da futura Casa da Cultura.

O primeiro bloco – a antiga cadeia –, uma vez recuperado, deverá ser destinado a mostras multitemáticas de longa ou curta duração, e a atividades criativas e de pesquisa que poderão ser conectadas a múltiplos polos de produção e geração de conhecimento, tais como o Museu Cais do Sertão, o Museu do Homem Sertanejo e Porto Digital, entre tantos outros. Será um espaço único, flexível (livre de paredes divisórias) e climatizado. A antiga edificação deverá guardar interna e externamente o branco de sua caiação, tão característico da arquitetura popular do Sertão Nordestino.

O segundo bloco – intermediário – funcionará ao mesmo tempo como entrada principal, acolhimento e convivência, oficina para trabalhos manuais, reuniões, lançamentos culturais e pequenas festas. Assim, será o espaço agregador mais ativo no dia a dia da instituição. Por isso mesmo, ele foi projetado como uma grande varanda, símbolo do espaço de convívio e do ócio criativo. Um espaço protegido do sol e da chuva por uma grande laje de cobertura e por fechamentos de treliças de madeira – muxarabis – elemento tradicional da arquitetura brasileira, que filtra a luz excessiva e deixa passar a brisa. Por este espaço serão acessados os outros blocos, os sanitários e um pequeno café.

O terceiro bloco será um auditório multiuso – black box ou espaço experimental – que deverá ocupar todo o terreno ao fundo, e será incorporado na área atual de domínio da antiga cadeia. Projetamos um bloco fechado a ser construído em concreto ciclópico utilizando as pedras amarelas “Cariri” da região. Será um pequeno auditório para 70 lugares, com pé direito de 4,5 m que possa receber todo tipo de experimentos e espetáculos teatrais, musicais, literários ou educativos, guardadas suas limitações espaciais de dimensões, capacidade de ocupação e segurança. Será também um espaço climatizado.

Em um resumo sintético, teremos na arquitetura do conjunto composto pelos três blocos a pedra, a cal e a madeira – elementos simbólicos que, uma vez integrados pelo concreto, trarão a atualidade necessária para um projeto contemporâneo.

A futura Casa de Cultura de Bodocó, a ser instalada no espaço guardião da memória do sofrimento humano, deverá hospedar e guardar também a memória das cantorias e do acordes dos sanfoneiros, das bandas de jazz, dos repentes e toadas, todas essas atividades criativas que sempre ajudaram a aliviar o sofrimento humano e a celebrar a vida. Que seja um equipamento a mais para as atuais e futuras gerações, que têm pela frente a tarefa de modelar um mundo mais justo e solidário.