Vila Nova Esperança

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Vila Nova Esperança

“... uma coisa é o lugar físico, outra coisa é o lugar para o projeto. E o lugar não é nenhum ponto de partida, mas é um ponto de chegada. Perceber o que é o lugar é já fazer o projeto”. Álvaro Siza  


Adentrando entranhas com “olhos” de projeto 


Por uma porta da casa 16 da Rua Alfredo de Brito, quase no Largo do Pelourinho, adentramos um espaço de resistência – antiga invasão – de moradores da encosta que separa a Cidade Alta da Cidade Baixa de Salvador, conhecida por Rocinha ou Vila Nova Esperança. São 66 famílias - quase 150 pessoas - vivendo em ruínas de antigas construções e barracos de madeira e alvenaria, em condições de extrema precariedade em todos os sentidos da palavra. No entanto, por sua situação privilegiada – a dois passos do Pelourinho – e pela história de resistência de mais de 20 anos, essa gente se sente altiva e orgulhosa de si. É uma comunidade organizada, com lideranças eleitas numa diretoria representativa, que faz o diálogo com as autoridades publicas. Mas não é um mar de rosas de consenso e amizades. É também refugio de traficantes que, à boca pequena, são indesejados pela maioria dos moradores.


Na vegetação exuberante de grandes árvores, palmeiras e bananeiras que preenche toda a área ocupada, já se podem notar clareiras recentes de cortes de árvores que, a continuar, poderão comprometer a paisagem verde da encosta.


A presença de ruínas de antigas casas no platô superior, junto ao casario da rua Alfredo Brito, e de muros de pedras que arrimam o terreno em compassos de aproximadamente 10 metros de um ao outro, é a grande “dicas” para elaboração do projeto de ocupação, circulação e estruturação. Estes muros, ou muralhas, representam o que há de melhor do ponto de vista da técnica e da engenharia na construção da cidade colonial de Salvador, em terreno tão acidentado. Eles sobrevivem há séculos com enorme eficiência. Portanto, revelá-los aos olhos da população será missão apriorística do projeto.


A vila Nova Esperança é a antiga Vila Esperança que ganha o “Nova” com a esperança redobrada nesse projeto. Aumenta também, e muito, nossa responsabilidade nesse desafio.


Ao saber que no início do século passado já existia ali a ocupação da Vila Esperança, ficamos um tanto aliviados. Afinal, por nossa formação urbanística e consciência da importância da preservação da paisagem verde, devemos ser contra qualquer ocupação da área da encosta, que separa as cidades alta e baixa, a não ser com mais vegetação. Mas existem ali ruínas das antigas casas da Vila Esperança que poderão e deverão se transmutar em nossas novas habitações para grande parte das famílias que ali vivem.


Deveremos ainda contar com os pavimentos superiores das casas da ladeira do Taboão para acomodar algumas famílias, seja no sentido de valorizar e preservar o já existente, seja no sentido de minimizar a ocupação do solo na encosta.


É diante desse mix de situações que devemos refletir sobre que projeto apresentar e que tecnologia e materiais utilizar. A Vila Nova Esperança é um dos poucos focos de resistência social no Centro Histórico a sobreviver depois da “avalanche” urbanística que por aí passou nos últimos anos, com o programa de recuperação. 

Como última anotação e registro para nós mesmos, duas advertências devem ser feitas e observadas durante o desenvolvimento e implantação do projeto:


1. Não podemos “guetificar” a Vila Nova Esperança. Explicando melhor, não vamos criar um conjunto residencial autônomo, independente, que venha a competir com a cidade existente a “dois passos” dali, que é o centro histórico com suas ruas, escolas, centros comunitários, bares, etc.


2. Não devemos abdicar de nossa contemporaneidade enquanto proponentes de um novo espaço. Não vivemos no passado e nem no futuro, mas no presente. Mais do que viver no presente “somos o presente”. Portanto a linguagem arquitetônica deverá expressar nosso tempo atual em todos os seus aspectos e sentidos. Isso é um começo de um grande desafio arquitetônico que tem um objetivo claro e justo, socialmente falando.


Ficha técnica

Autores
Francisco Fanucci, Marcelo Ferraz, Anne Dieterich, Cícero Ferraz Cruz e Fabiana Paiva

Colaboradores
Carol Silva Moreira, Felipe Zene, Gabriel Grinspum, Kristine Stiphany, Luciana Dornellas, Márcio Targa, Pedro Del Guerra, Pedro Vannucchi, Victor Gurgel e Vinícius Spira

Área
8550 m2

Local
Salvador, BA

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Prêmios

1º Prêmio IAB/SP 2008 - Projeto Habitação de Interesse Social

Publicações

Projeto Design
2009
Prêmio dá destaque aos prismas regulares | Categoria habitação pública de [...]
Vila Nova Esperança
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