São Bartolomeu (habitação)

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São Bartolomeu (habitação)

O projeto para a área da Comunidade de São Bartolomeu, situada junto à foz do Rio do Cobre, em Salvador, é norteado por ações de reurbanização do local, de modo a estabelecer condições dignas de habitabilidade para toda a Comunidade a curto, médio e longo prazo.


Conceitualmente, a proposta visa modificar a estrutura de ocupação do solo existente, principalmente na área delimitada pelas cotas de nível 0.00m a 2.50m, considerada instável, alagável e insegura para qualquer número de habitantes. Tal atitude é coerente com a visão de que a ampliação da cidadania no lugar depende de ações fortes e contundentes. Sendo assim, o projeto prevê a demolição de 374 imóveis, todos implantados com a soleira do térreo em cota de nível abaixo de 2.50m. Tais demolições correspondem à faixa de terra mais próxima ao mangue, que será ocupada por três conjuntos de unidades residenciais, totalizando 360 novas unidades. Considera-se a cota de nível 2.50m como referência para uma implantação segura contra cheias e enchentes. No trecho do bairro mais próximo à Avenida Suburbana e à Rua São Bartolomeu, onde a topografia traz cotas mais altas, o projeto prevê a manutenção das 262 edificações restantes, propondo uma regeneração do tecido urbano através de novo desenho para ruas, acessos, escadas, rampas, vegetação, iluminação, etc.


Tais ações são, desta forma, ligadas a uma nova organização da ocupação, que modifica a densidade atual de construções, de modo a criar zonas livres, espaço público, praças e playgrounds, atendendo a uma clara demanda reprimida. Árvores, abrigos, bancos e zonas de convivência, elementos estruturadores da cidade, são constantes em toda a extensão do projeto. Destacam-se os canteiros públicos situados no intervalo entre os blocos novos e entre os blocos novos e o tecido remanescente, conformadores de um pequeno parque longitudinal onde estão brinquedos e equipamentos de ginástica, bem como pórticos de concreto que receberão uso comercial. Esses usos e essa nova forma de ocupação garantem a apropriação do espaço publico pela população local.


No trecho leste da poligonal, onde hoje se encontra o terreiro de candomblé abandonado, será construído um centro esportivo, composto por um campo de futebol gramado e uma quadra poliesportiva. Tais equipamentos são dispostos lado a lado e recebem suporte de um módulo de vestiários, que, por sua vez, conecta-se com uma comprida marquise que liga a Rua São Bartolomeu e a nova Rua Isabel Gentil aos campos e a um espaço semi-coberto, uma espécie de claustro, concebido para prática de atividades sócio-recreativas.


No coração da poligonal, entre o tecido remanescente, os novos prédios e o mangue, está a Praça Grande, que com área de mil metros quadrados, constitui o núcleo maior de reunião pública. Junto a ela está a Casa da Conversa, edifício composto por salão de porte médio e apoio funcional, concebido para ser a sede das discussões e decisões de cunho comunitário, incentivando a cultura do diálogo dentro deste novo conceito de cidade para o local.


Outro ponto fundamental do partido urbanístico é a consolidação de uma via de borda entre a área urbanizada e o mangue, elemento que tornará mais preciso o limite entre o construído e o natural, criando ao mesmo tempo uma transição suave e legível entre estas duas realidades. Neste sentido, os restritos limites da poligonal são ainda influenciados pela recuperação de uma faixa de mangue com cerca de 30m de largura e criação de nova frente para a água, algo que amplia a necessidade de racionalidade no desenho das novas ocupações.


A arquitetura proposta segue os mesmos princípios, criando o novo espaço público e voltando-se para ele, amplificando a função urbana da rua corredor e dos equipamentos públicos previstos. Neste sentido, a tipologia proposta viabiliza acesso direto às trezentas e sessenta unidades habitacionais, que são divididas em dois pavimentos (térreo + 1). Todas as casas no pavimento térreo têm um pequeno quintal nos fundos, onde está a lavanderia, bem como todas as casas situadas no primeiro pavimento têm um terraço, onde está localizada a lavanderia.


Ficha técnica

Autores
Francisco Fanucci, Marcelo Ferraz e Cícero Ferraz Cruz

Colaboradores
Anne Dieterich, Anselmo Turazzi, Fabiana Fernandes Paiva, Gabriel Grinspum, Kristine Stiphany, Luciana Dornellas, Márcio Targa, Pedro Del Guerra, Pedro Vannucchi, Sérgio Ekerman, Vinícius Spira, Victor Gurgel, Beatriz Marques e Felipe Zene

Área
51000 m2

Local
Salvador, BA

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