Concurso COI

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Concurso COI

Os muros representam, ao longo da história da humanidade, divisões de propriedades e territórios, barreiras de proteção e defesa. Mas existem também muros que, ao separar, conectam. São os muros “porosos” que, por suas aberturas, filtram a luz e emolduram a paisagem, formalizam a passagem,regulam o contato, definem vizinhanças e asseguram a travessia. Muros de conexão, agregadores e unificadores de interesses coletivos, marcos físicos e simbólicos de feitos humanos de grande importância social, suportes de registros históricos e conquistas tecnológicas. São os muros dos aquedutos, de contenções de encostas e barragens, das pontes. E mesmo aqueles que nasceram como proteção, como as muralhas dos burgos,adquiriram novos sentidos, se transformando em testemunhos vivos do esforço do homem na construção de uma vida mais confortável. De uma das ações mais arcaicas do homem na construção de seu habitat surgem os muros, associando o trabalho humano às pedras da natureza.


COMITÉ OLÍMPICO INTERNACIONAL

Muro que une, muro sem fronteiras


O Muro

Um grande muro - longo, alto e espesso - de concreto estrutural, forte e contundente, solene e festivo, marcará definitivamente a futura sede do COI. Ao longo de sua face sudoeste, voltada para o parque e lago Geneva, faremos uma verdadeira coleção de pedras de tamanhos, cores e texturas variadas. De diferentes formas e dimensões, estas pedras serão concretadas juntamente com o muro, ficando a ele amalgamadas para sempre, e visíveis uma a uma. Cada pedra representará uma das 204 nações associadas ao COI. Arenito, granito, mármore, basalto ou dolomita, essas pedras deverão ser enviadas de todos os rincões do planeta por cada uma destas nações,que serão identificadas ao seu lado, no grande muro.

Durante a obra, convidaremos atletas Olímpicos de todas as nações para assistirem à concretagem de suas “pedras natais”. Assim, este mesmo muro contará a história da construção desta nova sede com marcas e registros de colaboração e solidariedade entre os povos na busca de tolerância e convivência. Dessa forma, em sua tectônica, a arquitetura estará reafirmando simbolicamente, com pedra e pedra de todos, a luta pela paz entre os povos e a construção do espírito olímpico.


A Galeria do Muro

As pedras “natais” vindas de todos os continentes serão amarradas à ferragem do concreto, de modo a ter sua face mais bonita e vistosa visível após a desforma. Deverão ter a medida aproximada de 0,5 x 0,5m em sua face maior e serão colocadas sempre ao alcance de uma pessoa em pé para que todos possam tocá-la, conhecer suas características e procedências.


Preservação x demolição

Após análise das vantagens e desvantagens da demolição ou preservação dos atuais edifícios sede do COI, considerando custos de adaptação e reforma, custos de investimentos de curto e longo prazo e, principalmente possibilidade plena de uso com conforto e flexibilidade, decidimos pela demolição dos dois edifícios mais recentes – Olimpic House e The Pavillion - por considerá-los obsoletos e inadequados para a vida longa que se pretende para a futura sede. Mais ainda, considerando as premissas e os anseios de se construir um verdadeiro marco arquitetônico simbólico, criador de uma nova lógica urbanística no parque em que se insere, reafirmamos nossa decisão de projetar um novo edifício, com unidade formal e forte imagem na paisagem.


Patrimônio

A implantação e posicionamento de nossas novas construções se darão em função da presença do histórico Château de Vidy que ocupará o centro do novo conjunto, emoldurado pelo grande muro de concreto. Procuramos criar uma relação de integração e respeito mútuo do novo com o antigo, sem submissões ou sobreposições de qualquer uma das partes. O antigo edifício, como que amalgamado ao novo conjunto deverá receber funções distintas e apropriadas aos seus espaços e sua imagem simbólica. Como centro de representação, abrigará a sala da presidência do COI,sala de encontros com a imprensa e áreas para visitas VIP. Ao mesmo tempo, pela sua centralidade, deverá participar da vida diária de trabalho de todos os servidores. O primeiro piso, conectado aos blocos novos por passarelas de vidro, terá função articuladora de todo o conjunto ao dar continuidade na circulação longitudinal. Instalaremos neste edifício um pequeno elevador que dará aceso pleno aos três pavimentos.

Ainda como testemunhos da memória da sede atual que será demolida, manteremos o pórtico de mármore branco da entrada principal (em uma nova locação de passagem), e reaproveitaremos todo o mármore branco no piso das áreas de acesso do pavimento térreo, assentados como opus incertum.


Château

O Château de Vidy será restaurado e terá seus valores arquitetônicos e simbólicos originais preservados. Abriremos seus espaços com a demolição de todas as paredes e divisórias não originais no sentido de valorizar e dar destaque aos detalhes e materiais empregados em sua construção. No segundo piso será instalada a sala da presidência com seu staff; no primeiro piso, o setor de comunicação e imprensa conectado aos edifícios novos pelas passarelas; e o pavimento térreo será o espaço do encontro com a imprensa, com os convidados VIP e comitivas oficiais, espaço de recepções e acolhimento de médio porte, de fácil acesso e possibilidade de se expandir pelo jardim frontal.

O Château de Vidy será o centro de representação formal do Comitê Olímpico Internacional.


Implantação

A decisão de criar um grande eixo longitudinal definido e alinhado pelo Château de Vidy, paralelo à borda da água, aumentará a área livre do parque com a configuração de uma grande praça verde defronte à futura sede. Com a concentração da área construída na borda do terreno proposto, nós estamos aumentando a área do parque de uso público, convívio, lazer, esportes, etc. E também criando a possibilidade de receber eventos do próprio COI no verão como numa expansão de suas atividades em momentos de grande afluxo de pessoas (grandes encontros).

O grande muro, além de ser um suporte estrutural dos novos edifícios, terá a função de definir e organizar os espaços na ocupação do território; deverá manter a unidade e a lógica para a futura expansão que se pretende para mais 200 postos de trabalho em 2025.

Em nossa implantação, deslocamos levemente a via de acesso, aproximando-a do talude da auto estrada.

Projetamos um novo pátio de estacionamento para automóveis na área da futura expansão, aumentando a capacidade atual, e remanejando o mínimo de árvores com novos plantios.

Ágora

Denominamos “ágora” o grande vazio central do edifício maior que deverá ser o espaço nevrálgico de circulação e comunicação vertical (elevadores e escadas) e horizontal (atrium e passarela). Será o “palco” de encontros de funcionários, visitantes e transeuntes do parque. Um conjunto de escadas e elevadores exclusivos e independentes da circulação predial darão acesso às passarelas externas do grande muro para que os visitantes desfrutem da vista do parque e possam tocar e fotografar as pedras concretadas no muro, representantes de cada nação filiada ao COI. Também pela ágora captaremos luz e ventilação para todos os pavimentos do edifício, inclusive para o subsolo.

As fachadas: “pedra bruta x cristal lapidado”

No centro deste longo muro grandes aberturas revelam o pátio e o outro lado do conjunto convidando o transeunte a desfrutar e caminhar por todo o térreo.

Aberturas verticais no muro de concreto criarão a porosidade no muro e permitirão a entrada de raios de sol, além de criar enquadramentos selecionados da paisagem do parque e lago a partir do interior do edifício.

Em oposição ao grande muro de concreto e pedras voltado para sudoeste, as fachadas nordeste serão fechadas com uma caixilharia de alumínio e vidro,fixada à estrutura suporte do grande balanço. Esta, por sua vez, se assemelhará a um cristal lapidado por sua estrutura facetada de planos triangulares e trapezoidais que, quando abertos, acentuarão ainda mais esta impressão. Os grandes vãos estruturais e o longo balanço transversal de 12 metros acentuarão a leveza deste grande “cristal” flutuante e, consequentemente, o contraste com o forte muro.

Leveza vs. de um lado e pesado do outro, maciço, ancora do muro, fixar no chão, enraizado.


Liberdade e flexibilidade de uso

Os espaços internos dos dois novos blocos serão absolutamente flexíveis para permitir uma série de ocupações e organizações de layout em todos os ambientes de trabalho. Um longo eixo longitudinal que atravessará também o Château de Vidy, como uma grande avenida, será a artéria de circulação e acesso às escadas e elevadores, sanitários, shafts técnicos de instalações, e pequenos cafés – pontos de encontro para as pausas necessárias durante o dia de trabalho. Divisórias corrediças poderão ser instaladas como dispositivos de ampliação e/ou divisão de espaços, segundo as necessidades momentâneas e as mudanças de programa e uso. Todas as instalações deverão acompanhar esta flexibilidade espacial.


Gentileza do espaço

Todos os espaços de trabalho serão pontuados pelos vários cafés/pontos de encontro dispostos ao longo dos edifícios, e em todos os pavimentos, incluindo o Sports Café. A academia de ginástica deverá funcionar no pavimento térreo em contato imediato com o parque, criando a possibilidade de expandir suas atividades para o exterior em dias de sol e calor. Na cobertura implantamos o grande restaurante, circundado por um terraço jardim, a desfrutar da bela vista da cidade e das montanhas, de um lado, do parque e lago, do outro. Será o ponto de encontro, por excelência, de todo o conjunto, seja no dia-a-dia ou nas festas. Estas são decisões de projeto que fundamentam a busca de espaços gentis e de convivência.  

Ficha técnica

Autores
Francisco Fanucci, Marcelo Ferraz

Colaboradores
Anne Dieterich, Beatriz Marques, Cícero Ferraz Cruz, Felipe Zene, Gabriel Mendonça, Luciana Dornellas, Pedro Del Guerra, Victor Gurgel, André Carvalho, Julio Tarragó, Laura Ferraz e William Campos

Área
9500 m2

Local
Lausanne, Suíça

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